Formação da Economia Solidária


Primeiros Grupos Produtivos

Os jovens que concluem um curso de Formação Profissional sentem as dificuldades de inserção no Mercado do trabalho. Em 2006 o Cesep encaminha as primeiras atividades de geração de trabalho e renda com os jovens educandos concluintes dos cursos de Manutenção - de Computadores e de Redes e de Manutenção de Máquina de Costura-. Uma experiência de iniciar Grupos de prestação de serviço que atuam nos bairros do entorno e também mais longe. O movimento de Economia Solidária neste período não é muito falado na Sociedade Civil, mais restrito ás Universidades com Pesquisadores formando umas Incubadoras Populares.


Incubadora Territorial 

Esta experiência inicial permite ao Cesep avançar e colocar em prática uns princípios da Economia Solidária. Um caminho que encontra apoio no Poder Publico através do Edital para Entidades Incubadoras lançado em 2008 pela SESOL - SETRE.

Junto com as tradicionais Incubadoras Universitárias o Cesep e outras Entidades da Sociedade Civil da Bahia dão início às primeiras Incubadoras Territoriais na Economia Solidária. Uma forte experiência e capacitação: descobrir pessoas e microempreendedores com visão e potencial, ajudar se encontrar com outros e integrar sua produção, dar início à Grupos que procuram planejar e produzir juntos com ajuda dos equipamentos recebidos, repartir os resultados, praticar uma autogestão. Assim o Cesep se apresenta no Território do Subúrbio como Entidade Incubadora e, na apresentação do relatório final do projeto, o próprio Poder Publico reconhece a capacidade do Cesep em alcançar os objetivos apresentados no projeto e a eficácia do apoio financeiro repassado.


Feira Solidária

Uma das dificuldades sentidas pelos Grupos em formação é a Comercialização de seus produtos. Nasce a proposta de organizar uma Feira, que se tornou uma grande aprendizagem coletiva e solidariedade. Os Grupos demonstram entre eles e ao público presente a importância e viabilidade desta nova forma de inclusão produtiva. A Feira Solidária Suburbana é realizada em Periperi no final de 2011 com apoio do Poder Publico na compra de barracas e toldos. Comparecem nesta Feira mais de 25 grupos da região que se apresentam e vendem seus produtos num espaço alternativo de comercialização baseado nos princípios da Economia Popular Solidária. Uns grupos reconheceram o valor da Feira Solidária também como um caminho para se articular em Rede. Matéria desta Feira é publicada no Jornal do MCP: 'CESEP realiza Feira na Praça da Revolução em Salvador' 


Rede de Comércio

O processo de articulação nasce da necessidade dos Grupos se apoiar, trocar experiência e saberes, superar suas dificuldades e se fortalece evoluindo para a forma de Rede no Subúrbio: a prática de mais um dos princípios da Economia Solidária. Um apoio para a organização em Rede vem do Poder Público em 2013 para quem o Cesep apresenta esta prática no projeto Rede de comércio justo e solidário. Fazem parte desta Rede em construção 11 grupos em formação em diferentes segmentos, com produção na Alimentação, Artesanato, Confecções - Vestuário e Limpeza, com serviço na Reciclagem e com microcrédito - investimento coletivo - GIC. O único grupo em área rural a Comunidade Quilombola oferece seu diferencial à Rede. Os Grupos da Rede reunidos nesta Comunidade para celebrar o 1º de Maio percebem a dimensão coletiva permeando suas atividades e lutas como a difícil conquista da titulação, reconhecem sua riqueza cultural. Desta visita nasce um estudo com todos os grupos sobre as 'Comunidades Quilombolas' na formação do Brasil. Com um melhor acompanhamento das Comissões e novos equipamentos uns Grupos mostram mais firmeza em sua produção, aumentam a quantidade, dão maior atenção à qualidade e às exigências do mercado. A Comissão de Acompanhamento faz visitas e cobram dos Grupos a reunião semanal para sua integração, planejar a produção coletiva, dividir tarefas, avaliar e, visando a transparência, reconhecer atitudes individuais para corrigir, elementos indicadores de autogestão. A Comissão prepara Roteiros com texto e perguntas como instrumentos para o Grupo se avaliar e aprofundar os princípios da Economia Solidária. O resultado é partilhado e misturado nos encontros gerais para a troca de experiência e saberes, sentindo-se mais Rede. Os Roteiros são também instrumentos de Participação para os Grupos preparar outras atividades em Rede como a abertura de uma e outra loja, os seminários para sistematizar os avanços e as dificuldades e com participação do Poder Público, as propostas sobre Estatuto e as Assembleias da Cooperativa. Na dificuldade da comercialização esta organização em Rede ajuda diversificar suas formas. Ao lado das vendas locais e por encomenda se fortalece a troca e venda dos produtos entre os próprios Grupos. Novo passo a abertura de Lojas Solidárias para a revenda dos produtos, com controle de quantidade e qualidade. São geridas por pessoas dos próprios Grupos produtivos que, com ajuda da Comissão de Gerenciamento, fazem uma grande aprendizagem na gestão e no marketing. A Rede vai ampliando sua influencia, se articula com outros grupos e em outros municípios da Bahia, um caminho que leva a se consolidar como Cooperativa.


COOTPESB Cooperativa de Trabalho de Produção e Economia Solidaria


Uma Comissão de legalização analisa vários modelos de estatutos de cooperativas. Elabora um primeiro esboço que partilha com outras Comissões e uns Grupos que leva em conta uns princípios vivenciados no processo de organização em Rede. Visando a participação e aprendizagem o Roteiro enviado aos Grupos ajuda a elaborar suas propostas nas partes mais específicas do Estatuto: a ampliação e abrangência, denominação e nome fantasia, uns objetivos, os Associados e sua relação com o grupo, a cota parte. Os Associados da Cooperativa representam 15 Grupos de Economia solidária nos Municípios de Salvador, Simões Filho e Feira de Santana. Após este processo e a definição do Estatuto a Cooperativa de Trabalho de Produção e Economia Solidaria - COOTPESB - é criada na Assembleia Geral em 21 de abril de 2015. Com a presença dos seus Grupos e dos Apoios os 23 Associados Fundadores aprovam oficialmente sua Denominação, fazem a leitura e aprovam o Estatuto Social e indicam 7 seus representantes que são Eleitos como Diretores e Empossados para o mandato de 3 anos. Na Assembleia do 1º Aniversário, preparada com Roteiro, os Grupos trocam entre se qual seu entendimento e senso de pertença, apontam para o que precisam resolver com sua Cooperativa e para propostas de planos e fortalecimento da COOTPESB.


Apoios e Parcerias 


Poder Público

Na execução das Políticas Públicas a SETRE, SECTI E FAPESB abrem Editais para a Formação na Economia Solidária. O Cesep participa e elabora seus Projetos acompanhando as sucessivas etapas do seu processo de Formação. Assim são apresentados e aprovados os Projetos 'Incubadora Territorial', 'Feira Suburbana Solidária' e 'Rede de Comércio Justo e Solidário'. Em sua execução o apoio financeiro é fundamental dando condições para os Recursos Humanos, para as atividades e equipamentos. O apoio acontece também com a participação do Poder Público em atividades e com visitas. 


MCP, Movimento das Comunidades Populares. 

A Parceria com o Movimento das Comunidades Populares, MCP, já vem acontecendo há tempo. Se fortalece com representantes se integrando de forma voluntária no processo de organização da Rede através da Comissão de Acompanhamento. Grupos do MCP participam em encontros para troca de experiência na Rede e em seminários para a sistematização dos estudos e a formação em Ecosol. São planejadas e organizadas em conjuntos Feiras populares em áreas do MCP e da Rede. Participando em encontros estaduais e nacional do Movimento os Grupos da Rede conhecem de perto seus princípios de autonomia, a autogestão, sua prática do trabalho e produção coletiva para construção da Comunidade Popular. A Parceria inicial evolui ao longo do processo da Rede até uma participação comum na construção da COOTPESB.